Uso de tela: qual o impacto nas crianças em regiões administrativas com diferentes rendas per capita no Distrito Federal
Resumo
O presente estudo teve como objetivo analisar o impacto do uso de telas na infância, com ênfase nas disparidades entre regiões administrativas com diferentes rendas per capita no Distrito Federal. A investigação foi fundamentada em extensa revisão bibliográfica que aponta os potenciais efeitos adversos da exposição excessiva a dispositivos digitais sobre o desenvolvimento cognitivo, emocional, físico e social de crianças. Estudos recentes demonstraram correlações entre maior tempo de tela e atrasos na linguagem, prejuízos nas habilidades sociais, maior irritabilidade, distúrbios do sono, sintomas depressivos e aumento do sedentarismo e da obesidade. Para examinar tais relações em um contexto local, foi conduzida uma pesquisa de campo com 60 cuidadores principais de crianças entre 3 e 12 anos, divididos igualmente entre estratos de alta e baixa renda. Utilizou-se um questionário estruturado baseado no Digital Screen Exposure Questionnaire (DSEQ), aplicado em quatro escolas ao total, duas públicas e duas privadas, do Distrito Federal. Os dados revelaram que crianças de famílias de menor renda apresentaram maior tempo médio de exposição às telas, menor supervisão parental e consumo majoritário de conteúdo recreativo e pouco educativo. Por outro lado, crianças de famílias com maior renda tiveram mais acesso a conteúdos didáticos e maior presença de práticas de mediação parental ativa. A análise estatística mostrou que, embora o tipo de escola não tenha se associado significativamente ao tempo total de tela, houve correlações significativas entre esse tempo e o uso de dispositivos como celulares e televisores, além de padrões distintos conforme a faixa etária. Durante a terceira infância, observa-se uma tendência ao aumento do tempo de tela, particularmente na ausência de oportunidades estruturadas de lazer e socialização. Métodos como análise fatorial por componentes principais e clusterização por K-means permitiram identificar dois perfis distintos de uso de tecnologia entre as crianças, destacando a complexidade do fenômeno. Os resultados sugerem que as desigualdades socioeconômicas influenciam não apenas o tempo, mas a qualidade do uso de telas na infância. Conclui-se que o enfrentamento desse cenário exige políticas públicas integradas, voltadas à alfabetização digital, apoio às famílias e ampliação do acesso a atividades educativas, esportivas e culturais que promovam o desenvolvimento integral da criança em ambientes digitais mais equilibrados e supervisionados.
Palavras-chave
tempo de tela; criança; crescimento e desenvolvimento; escolarização.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10921
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