Uso da auriculoterapia para controle da compulsão alimentar periódica no manejo de pacientes com sobrepeso e a obesidade

Henrique Andrade da Cunha, Camila Melo Araujo de Moura e Lima

Resumo


A obesidade é uma condição crônica multifatorial associada ao aumento de doenças metabólicas e cardiovasculares, configurando-se como um dos maiores desafios de saúde pública. Entre os fatores relacionados ao ganho de peso destaca-se o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP), caracterizado por episódios recorrentes de ingestão excessiva de alimentos, com prevalência significativa em indivíduos com sobrepeso e obesidade, especialmente em mulheres. Este estudo experimental investigou a eficácia da auriculoterapia no controle da compulsão alimentar em pacientes do sexo feminino com índice de massa corporal (IMC) ≥ 25 kg/m². A pesquisa foi conduzida entre outubro de 2024 e julho de 2025, recrutando voluntárias por meio de mídias sociais e convites presenciais. As participantes foram submetidas a oito sessões semanais de auriculoterapia, utilizando sementes de mostarda aplicadas em pontos específicos relacionados ao apetite e equilíbrio emocional. Além disso, receberam orientação dietética qualitativa, baseada em protocolos reconhecidos para manejo da obesidade. A gravidade da compulsão alimentar foi avaliada pela Escala de Compulsão Alimentar Periódica (ECAP), aplicada no início e ao final da intervenção. Os resultados, obtidos em duas participantes, indicaram melhora na percepção de calma e redução na necessidade de ingestão alimentar, especialmente em uma delas, que apresentou resposta consistente durante as quatro semanas de acompanhamento. A outra participante relatou oscilações nos efeitos percebidos, o que pode estar associado à dificuldade em aderir ao plano alimentar. Apesar das limitações da amostra reduzida e da ausência de mensuração objetiva de peso corporal, os achados sugerem que a auriculoterapia pode atuar como estratégia complementar no manejo da compulsão alimentar e da obesidade, contribuindo para o controle da ingestão alimentar e para a regulação emocional. Ressalta-se, contudo, a necessidade de estudos com maior número de participantes, controle da adesão dietética e inclusão de parâmetros antropométricos e metabólicos para validação dos resultados. A auriculoterapia, enquanto prática integrativa e complementar reconhecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apresenta-se como recurso promissor e de baixo custo, podendo compor abordagens multidisciplinares no enfrentamento da obesidade e do TCAP.

Palavras-chave


práticas integrativas em saúde; transtornos da alimentação; compulsão alimentar.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10919

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