Prevalência de transtornos alimentares em universitários do Distrito Federal: estratégias para compreensão
Resumo
A transição para o ensino superior é uma fase marcada por intensas demandas acadêmicas, pressões sociais e adaptações emocionais, que podem impactar negativamente a saúde mental e o comportamento alimentar dos estudantes. Nesse contexto, os transtornos alimentares (TAs) vêm ganhando destaque por sua crescente incidência entre jovens universitários, frequentemente associada à distorção da imagem corporal, baixa autoestima, ansiedade e tentativa de controle diante das incertezas dessa etapa da vida. Apesar da gravidade, os TAs muitas vezes permanecem subnotificados, seja por desconhecimento, negação do problema ou normalização de condutas alimentares disfuncionais no ambiente universitário. Este estudo teve como objetivo analisar a prevalência de risco para TAs entre universitários do Distrito Federal, utilizando o Eating Attitudes Test (EAT-26) como instrumento de triagem. Participaram 100 estudantes, entre 18 e 40 anos. A prevalência de risco foi de 38,0%, com associação significativa entre maior IMC e risco para TAs (p = 0,031). A maioria dos participantes era do sexo feminino (85%), cursava áreas da saúde (81,0%) — em especial medicina (68,0%) — e encontrava-se entre o 5º e 8º semestre (60,0%). Embora o curso e semestre não tenham mostrado diferença significativa nos escores do EAT-26, estudantes do sexo feminino apresentaram escores mais elevados (p = 0,009), sugerindo maior vulnerabilidade. Quanto aos hábitos alimentares, 73,0% relataram que a rotina acadêmica impactou negativamente sua alimentação, com aumento do consumo de fast food e ultraprocessados (58,0%) e redução na quantidade de refeições diárias (44,0%). A alteração mais citada foi a compulsão alimentar (51,0%). Os dados reforçam a necessidade de atenção à saúde mental e nutricional no ambiente acadêmico, com foco em ações preventivas, promoção de hábitos saudáveis e criação de espaços de acolhimento para estudantes em sofrimento psíquico.
Palavras-chave
Feeding and Eating Disorders, Universities, Prevalence.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10906
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