Investigação do mercado de trabalho para médicos recém-formados no Distrito Federal
Resumo
O mercado de trabalho para médicos recém-formados no Distrito Federal encontra-se marcado pela elevada concorrência, resultado da saturação de profissionais na região, cenário o qual é retroalimentado pela abertura de novas graduações em Medicina. Apesar do aumento no número de médicos, a oferta de vagas para residência não cresce na mesma proporção, o que mantém a carência de mão de obra especializada e dificulta a inserção dos recém-formados. Este estudo consiste em uma pesquisa descritiva, transversal e retrospectiva, com o objetivo de investigar o mercado de trabalho para médicos recém-formados pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB). A coleta ocorreu entre outubro de 2024 e março de 2025, por meio de um questionário eletrônico estruturado, validado e autoaplicável, com 26 perguntas fechadas, elaborado no Google Docs. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de ética e aplicado o Consentimento Livre e Esclarecido (RCLE). A amostra analisada foi composta por 175 médicos recém-formados, composta por idade mediana de 28 anos, predominância de profissionais do sexo feminino (64%), maioria com estado civil solteiro (84%) e residentes no Distrito Federal (88,57%). Considerando às fontes de renda atuais dos recém-formados, constatou-se que 82,28% atuam como médicos e 36,56% recebem bolsas de pós-graduação. No que se refere à formação complementar, 33,71% estão cursando residência médica, enquanto 5,14% concluíram residência. Entre os cursos de pós-graduação lato sensu, 10,85% encontram-se em andamento e 3,42% foram finalizados. Considerando a inserção no mercado de trabalho, 53,7% relataram ter ingressado no primeiro emprego em até um mês após a formatura, sendo que 34,28% afirmaram possuir dois vínculos laborais e 25,1% declararam trabalhar entre 20 a 40 horas semanais. Constatou-se que 43,16% estão trabalhando no setor privado e 58% trabalham nos níveis secundo-terciário de assistência. O estudo revelou que 66,3% dos médicos recém-formados declararam estar satisfeitos com a profissão. Sumarizando, a má distribuição geográfica de médicos, a precarização das relações de trabalho e a baixa adesão à atenção primária comprometem a qualidade e a equidade do sistema de saúde. Paralelamente, a discrepância entre o número de formados e as vagas de residência disponíveis, lançam luz à urgência de ampliar e melhorar os programas de residência médica, bem como a necessidade de investir em políticas de distribuição e fixação de médicos em regiões mais carentes do Brasil, a fim de melhor atender às demandas populacionais. Cabe ressaltar que mesmo considerando todos estes desafios, a rápida inserção no mercado de trabalho contribui para manter elevados os níveis de satisfação com a carreira médica entre os recém-formados.
Palavras-chave
formação médica; médicos recém-formados; mercado de trabalho.
Texto completo:
PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10889
Apontamentos
- Não há apontamentos.
