Imunoprofilaxia do vírus sincicial respiratório em pacientes pediátricos: uma revisão sistemática
Resumo
O vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal agente etiológico das infecções do trato respiratório inferior (ITRI) em lactentes e crianças menores de 2 anos, representando aproximadamente 80% dos casos de bronquiolite e 60% dos casos de pneumonia nesta faixa etária. Como não há tratamento específico no combate ao VSR, a imunização passiva de lactentes com anticorpos monoclonais (mAbs) e a imunização ativa a partir da vacinação materna consistem em estratégias de imunoprofilaxia essenciais. Na década de 90, o Palivizumabe surgiu como o primeiro anticorpo monoclonal humanizado contra o VSR, destinado a crianças de alto risco. Em 2023, foi liberado o uso do Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal recombinante de imunoglobulina humana G1 kappa, com tempo de meia-vida prolongado em relação ao Palivizumabe. Nos últimos anos, três vacinas (Novavax RSV F, GSK RSVPreF3 e Pfizer RSVpreF) com potencial de conferir proteção ao recém-nascido pela transferência transplacentária de anticorpos foram investigadas nos principais estudos científicos. Assim, o presente trabalho tem a finalidade de avaliar a eficácia e a segurança dos anticorpos monoclonais (Palivizumabe e Nirsevimabe) e da vacinação materna na imunoprofilaxia do VSR em pacientes pediátricos. No período de setembro de 2024 a julho de 2025, realizou-se uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados, nas bases de dados PubMed, EMBASE, Web of Science, Cochrane e LILACS. A estratégia de busca resultou em 4933 artigos e, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, com o auxílio da plataforma Rayyan®, 20 artigos foram selecionados. O risco de viés (RoB 2.0) foi baixo em 13 estudos e classificado como “alguma preocupação” em três, sem julgamentos de alto risco. Os resultados foram consistentes a favor do Nirsevimabe. Em prematuros tardios e lactentes a termo, iniciando a primeira temporada de VSR, observou-se a redução de 70,1% das ITRI com exigência de atendimento médico e de até 78,4% das hospitalizações. Em outro ensaio clínico com 8.058 participantes, a redução de hospitalizações atingiu 83,2% e de ITRI muito graves, 75,7%. Em comparação direta com o Palivizumabe em crianças de alto risco, o Nirsevimabe apresentou menores proporções de ITRI com assistência médica (0,6% vs. 1,0%) e de hospitalizações (0,3% vs. 0,6%), mantendo perfil de segurança semelhante. Os eventos adversos relacionados ao Niservimabe foram majoritariamente leves e comparáveis ao placebo ou ao Palivizumabe. Entre as vacinas maternas, a RSVpreF (Abrysvo) demonstrou eficácia de 70% na prevenção de ITRI graves nos primeiros seis meses de vida, com redução de hospitalizações de 69,7% aos 90 dias e de 55,3% aos 180 dias, além de segurança materno-infantil favorável. A RSVPreF3 (GSK) evidenciou eficácia contra ITRI e formas graves, porém esteve associada ao aumento de partos prematuros, justificando a descontinuação do seu desenvolvimento. A RSV F (Novavax) mostrou segurança e benefício em alguns desfechos, mas não alcançou um critério pré-especificado de eficácia. Portanto, as evidências elucidam o Nirsevimabe e a vacinação materna com RSVpreF como estratégias efetivas e seguras para reduzir ITRI por VSR, hospitalizações e necessidade de atendimentos médicos em lactentes.
Palavras-chave
anticorpos monoclonais; pediatria; vacina materna; vírus sincicial respiratório.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10886
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