Competência alimentar e saúde mental em jovens estudantes do Centro Universitário de Brasília UniCEUB
Resumo
O presente estudo teve como objetivo avaliar a competência alimentar (CtA) e sua associação com sintomas de depressão, ansiedade e estresse em estudantes universitários de uma instituição privada do Distrito Federal. Trata-se de um estudo observacional, transversal, realizado com 184 adultos jovens (± 21,84 anos), predominantemente do sexo feminino (63,04%), com elevada renda familiar mensal, sendo a maioria estudantes da área de Ciências da Saúde (88,04%), com destaque para o curso de Medicina (78,26%). A CtA foi mensurada por meio da versão brasileira do Satter Eating Competence Inventory 2.0 (ecSI2.0™BR) e, os sintomas psicológicos, pela Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (EADS-21). O escore mediano de CtA foi de 32,50 pontos, classificando os indivíduos como competentes. As medianas para depressão, ansiedade e estresse foram, respectivamente, 6,00; 6,00; e 12,00 pontos, indicando níveis majoritariamente normais a leves, mas com ampla variação, revelando heterogeneidade de sintomas. Universitários não competentes apresentaram escores significativamente mais elevados para depressão, ansiedade e estresse (p < 0,001) em comparação aos competentes. A insatisfação com o peso corporal esteve fortemente associada à não competência alimentar (OR = 6,706), assim como a presença de sintomas de depressão (OR = 7,820), estresse (OR = 5,550) e ansiedade (OR = 2,485) (p < 0,001 para todos). As correlações mostraram que quanto maior o escore de CtA, menores são os sintomas de estresse (r = -0,506), depressão (r = -0,475) e ansiedade (r = -0,361), indicando que estudantes mais competentes em relação à alimentação tendem a apresentar menor sofrimento psicológico. Além disso, sintomas psicológicos apresentaram correlações positivas moderadas entre si, sugerindo que, frequentemente, coexistem. Os resultados evidenciam que a CtA está associada a melhores indicadores de saúde mental, porém, destaca-se o fato de se tratar de uma amostra de elevada renda e escolaridade, além de ter algum conhecimento técnico acerca de alimentação e saúde. A elevada prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse, especialmente nos não competentes, ressalta a importância de intervenções integradas que promovam simultaneamente a CtA e o bem-estar psicológico. Conclui-se que estratégias voltadas à educação alimentar, fortalecimento da imagem corporal positiva, desenvolvimento de habilidades culinárias e manejo do estresse podem contribuir para a melhoria da relação com a alimentação e saúde mental de universitários. Esses achados destacam a relevância de políticas institucionais que reconheçam a alimentação como componente central da qualidade de vida e do desempenho acadêmico, favorecendo a formação de profissionais mais conscientes e equilibrados.
Palavras-chave
competência alimentar; saúde mental; estudantes universitários; depressão; ansiedade.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10863
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