Associação entre parâmetros morfológicos e morfocinéticos, e ploidia de blastocistos humanos

Bruna Rabello Iglesias, Rebekka Hae Rim Kim, Bruno Ramalho de Carvalho

Resumo


A escolha do embrião a ser transferido é determinante para o sucesso das técnicas de
reprodução assistida (TRA). Tradicionalmente baseada em critérios morfológicos
estáticos, essa seleção passou a incorporar, recentemente, a fotografia time-lapse (TL),
que permite avaliar, de forma não invasiva, o desenvolvimento embrionário durante o
cultivo em incubadoras de última geração (morfocinética embrionária). Paralelamente,
uma das ferramentas amplamente utilizadas para avaliação da saúde embrionária é o
teste genético pré-implantacional (PGT), mais especificamente o destinado à detecção
de aneuploidias (PGT-A), convencionalmente realizado por meio de biópsia do
trofectoderma e sequenciamento de última geração. É um procedimento invasivo, de
alto custo e não isento de riscos. Diante disso, recentes avanços em inteligência artificial
(IA) têm explorado a utilização de algoritmos baseados em imagens e parâmetros
morfocinéticos para prever, de forma não invasiva, o potencial de implantação
embrionária. A literatura, entretanto, busca pelo aprimoramento da IA na previsão de
aneuploidias, entre outros desfechos das TRA. O objetivo deste estudo é identificar se
existe correlação entre parâmetros morfocinéticos e ploidia de embriões humanos,
buscando desenvolver uma estratégia não invasiva de avaliação, que possa predizer a
existência de anomalias cromossômicas numéricas (aneuploidias), substituindo
satisfatoriamente a biópsia do trofoectoderma. Trata-se de um estudo observacional,
prospectivo, em que 43 embriões humanos gerados por TRA foram avaliados quanto a
divisão celular e formação de blastocistos, a partir de TL, e, posteriormente, destinados
ao PGT-A. A pontuação embrionária a partir da ferramenta automatizada de suporte à
decisão KIDScore, por meio de algoritmo e programa específicos, também foi avaliada.
Os resultados com distribuição normal foram analisados pelo teste de Welch e os com
distribuição não paramétrica, pelo teste de Mann-Whitney. As áreas sob as curvas
receiver operating characteristic (AUC-ROC) foram obtidas com intuito de avaliar a
capacidade preditiva de aneuploidia. O nível de significância foi estabelecido em p < 0,05
em todas as análises. Entre os parâmetros avaliados, o período até a formação completa
do blastocisto (tB) e o intervalo entre a identificação inicial da blastocele e a formação
do blastocisto completo (tB - tSB) foram mais curtos para blastocistos euploides. Os
respectivos tempos/intervalos médios/medianos (em horas) para embriões euploides e
aneuploides foram os seguintes: tB, 101,5 vs. 109,5 (p = 0,0011); tB-tSB, 6,1 vs. 11,5 (p
= 0,0327). O KIDScore também foi significativamente maior entre embriões euploides,
quando comparados aos aneuploides (7,5 vs. 5,1, respectivamente, p = 0,0002).
Identificou-se capacidade preditiva moderada para identificação de embriões
aneuploides do parâmetro tB e da pontuação KIDScore: tB, AUC-ROC = 0,7357 (IC95%
0,5887 – 0,8828, p = 0,0116); KIDScore AUC-ROC = 0,8370 (IC95% 0,7007 – 0,9734, p =
0,0003). Conclui-se que os períodos até formação da blastocele e do blastocisto
completo foram maiores para embriões aneuploides, sugerindo que o desenvolvimento
embrionário tardio pode ser mais lento em embriões aneuploides. Se confirmados por
estudos com amostra mais significativa, nossos resultados poderão ser usados para a
tomada de decisão sobre a realização da biopsia embrionária, evitando-a em embriões
com alta probabilidade de euploidia.


Palavras-chave


desenvolvimento embrionário; imagem com lapso de tempo; técnicas de reprodução assistida.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10828

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