Impacto da perceção de risco de IST, gravidez ou ambos na impulsividade sexual avaliada pelo paradigma do desconto

Samuel Carolino Barreto Sarmento, Eduardo Walcacer Viégas

Resumo


Comportamentos sexuais de risco, como relações sexuais sem o uso de preservativos, representam uma preocupação significativa de saúde pública, especialmente entre jovens adultos. Esses comportamentos estão associados a desfechos adversos como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada, que podem impactar a saúde física, emocional e social dos indivíduos. Apesar da importância do tema, não há estudos que investiguem comparativamente qual tipo de risco; gravidez, IST ou ambos, exerce maior influência sobre a tomada de decisão impulsiva em contextos sexuais. Estudos prévios indicam que fatores como atratividade física e condições emocionalmente carregadas podem modular o comportamento impulsivo, mas ainda há uma lacuna no entendimento sobre como diferentes tipos de risco influenciam o indivíduo no momento da escolha. Diante disso, o presente estudo investigou o desconto do atraso em decisões sexuais impulsivas sob diferentes tipos de risco: IST, gravidez indesejada ou ambos. O objetivo foi analisar se o tipo de risco, a condição emocional (neutro ou negativo) e o grau de atratividade da parceira influenciam a escolha entre sexo imediato sem preservativo ou sexo com preservativo após um atraso. Participaram 81 homens heterossexuais, sexualmente ativos, distribuídos em três grupos experimentais (Grupo IST; Grupo Gravidez e Grupo IST + Gravidez). Cada grupo respondeu à Tarefa de Desconto Sexual (TDS), que avaliou a probabilidade de esperar pelo uso de preservativo em diferentes atrasos, sob dois tipos de condição (neutra e negativa), com parceiras de alta e baixa atratividade. Os principais achados foram: (1) o Grupo Gravidez demonstrou maior impulsividade, sendo o único a manter níveis elevados de impulsividade mesmo na condição negativa com baixa atratividade; (2) o Grupo IST + Gravidez apresentou menor impulsividade de modo geral; (3) houve mais impulsividade quanto maior a atração sexual para todos os grupos e condições; (4) a condição negativa reduziu a impulsividade, inclusive diante de alto nível de atratividade. A pesquisa amplia achados anteriores ao ser a primeira a comparar sistematicamente os três tipos de risco em condições controladas, com manipulação de cenário emocional e atratividade. Os resultados destacam que, embora campanhas e políticas públicas de saúde enfatizem majoritariamente os riscos associados às ISTs, o risco de gravidez também se mostra um forte motivador para decisões impulsivas. Isso
revela uma lacuna nas intervenções preventivas, que poderiam ser aprimoradas com foco mais equitativo nos diferentes tipos de risco. Assim, este estudo contribui tanto para o campo da Análise Experimental do Comportamento quanto para a formulação de estratégias mais eficazes de prevenção e educação sexual junto à população jovem.


Palavras-chave


comportamento sexual de risco; desconto do atraso; impulsividade; gravidez indesejada; preservativo.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10767

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