Tipos de tratamento para prolapso de órgãos pélvicos: uma revisão sistemática da literatura

Geovanna Calazans Corrêa, Marina Toscano Silveira, Stella Vieira Santos

Resumo


O prolapso de órgãos pélvicos (POP) é uma condição ginecológica frequente que acomete principalmente mulheres após a menopausa, sendo caracterizado pela descida dos órgãos pélvicos (útero, bexiga, reto) devido ao enfraquecimento do assoalho pélvico e de suas estruturas de sustentação. Essa condição pode impactar significativamente a qualidade de vida, interferindo nas atividades diárias, no bem-estar físico, emocional e social, além de estar associada a sintomas como sensação de peso pélvico, protuberância vaginal, disfunção sexual e urinária. O objetivo desta revisão sistemática foi analisar e comparar os diferentes tipos de tratamento para o POP, com foco na eficácia, riscos, indicações, contraindicações e impacto na qualidade de vida das pacientes. A metodologia adotada seguiu as diretrizes do PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), e as buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, incluindo artigos publicados de 2000 até julho de 2024. Foram selecionados 42 estudos que atenderam aos critérios de inclusão, com avaliação metodológica baseada nas diretrizes SWiM (Synthesis Without Meta-analysis). Os tratamentos foram organizados em duas categorias: conservadores e cirúrgicos. As estratégias conservadoras, como fisioterapia do assoalho pélvico (PFMT) e uso de pessários vaginais, mostraram-se eficazes especialmente em casos leves ou em mulheres com contraindicações cirúrgicas. Entre os tratamentos cirúrgicos, a sacrocolpopexia laparoscópica foi considerada o padrão ouro para prolapso apical, apresentando maior durabilidade, menor taxa de recorrência e bons resultados funcionais. Por outro lado, a colpocleise, que consiste no fechamento parcial ou total do canal vaginal, foi eficaz em mulheres idosas e sem desejo de manter atividade sexual, com baixas taxas de reoperação e complicações. Conclui-se que a escolha do tratamento para o POP deve ser individualizada, levando em consideração a gravidade do prolapso, sintomas apresentados, idade, comorbidades, nível de atividade sexual e preferências da paciente. Os achados desta revisão reforçam a importância de uma abordagem centrada na paciente e indicam a necessidade de mais estudos comparativos de longo prazo para estabelecer diretrizes terapêuticas mais robustas e direcionadas.

Palavras-chave


prolapso de órgãos pélvicos; tratamento cirúrgico; qualidade de vida.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10917

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