Síndrome de Burnout e Coping religioso-espiritual em estudantes e professores do curso de medicina de uma Universidade de Brasília-DF

Manuela Fredo Manara, Camila Nogueira de Souza, Miriam Martins Leal

Resumo


A síndrome de burnout é um distúrbio emocional causado pelo estresse crônico no trabalho, que afeta não apenas profi ssionais, mas também, estudantes em meio acadêmico e é extremamente prevalente nas áreas de saúde. O coping religioso-espiritual (CRE) compreende estratégias de enfrentamento embasadas na espiritualidade e fé para situações negativas e de alto estresse. O presente estudo teve como objetivo investigar a correlação entre o CRE e a síndrome de burnout em estudantes e professores da área da saúde de um centro universitário localizado em Brasília-DF. A pesquisa foi de caráter quantitativo, desenvolvida a partir da aplicação da escala de CRE de 14 itens, subdivido em duas escalas de CRE positivo (CREP) e CRE negativo (CREN) e Inventário de Burnout de Maslach (MBI) adaptado para estudantes, subdividido em exaustão emocional, descrença e efi cácia profi ssional; e para profi ssionais subdividido em exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal, todos validados para o Brasil. A amostra total foi de 102 estudantes e 26 professores de Medicina. Os dados foram analisados no SPSS, utilizando os testes de qui-quadrado, Anova e Kruskall-Wallis. Os dados não evidenciaram associação consistente entre coping religioso-espiritual positivo ou negativo e a Síndrome de Burnout. Contudo, observou-se maior probabilidade de desenvolvimento de burnout em indivíduos que já apresentavam afecções prévias de saúde mental e presença de relação estatisticamente signifi cativa entre menores níveis de coping religioso-espiritual negativo (CREN) e maiores índices de exaustão emocional. Foi identifi cado na amostra dos estudantes uma média de coping religioso-espiritual positivo (CREP) moderada, com pontuação de 23,10, igualmente à média de CREN que foi de 11,25. Em relação à porcentagem de Burnout, foram identifi cados 11 alunos que atingem critério para diagnóstico da síndrome, compreendendo 10,78% da amostra, sendo sua maioria do gênero feminino (9 alunas) e do internato (6 alunos). Já para os professores, não foi observado Burnout nos participantes da amostra, porém pôde-se verifi car 42,31% de respostas “moderadas” para dimensão de esgotamento emocional e 19,23% de respostas “altas”, bem como 34,62% de pontuações “moderadas” para realização pessoal e 26,92% de pontuações “baixas”. Os achados obtidos sugerem que a forma como a espiritualidade é vivenciada pode desempenhar papel importante na experiência de desgaste emocional, apesar de não ter signifi cância estatística entre burnout e o CRE. Tais resultados podem ser justifi cados pela quantidade da amostra não ser representativa da população estudada, o que constitui uma limitação relevante para a generalização dos resultados. A amostra foi reduzida devido a várias difi culdades para coleta de dados, dentre elas considera-se o estigma de que profi ssionais da saúde não devem apresentar problemas de saúde mental, sob o risco de serem considerados incapazes de se tornarem bons profi ssionais, assim como persiste o receio em admitir religiosidade em um ambiente fortemente marcado pelo cientifi cismo, que historicamente nega a infl uência da espiritualidade na saúde do indivíduo. A investigação reforça a necessidade de realização de estudos subsequentes, com amostras amplas, a fi m de elucidar se há ou não correlação entre a Síndrome de Burnout e o coping religioso-espiritual.

Palavras-chave


burnout; coping religioso-espiritual; religião; faculdade de medicina.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10913

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