Pesquisa de falso-positivo de aspergilose invasiva em pacientes colonizados por candida e aspergillus por pesquisa de galactomanana em hospital do Distrito Federal
Resumo
As infecções fúngicas invasivas constituem um desafio relevante no cenário clínico, sobretudo em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI), onde fatores como imunossupressão, uso prolongado de antibióticos e presença de dispositivos invasivos aumentam a vulnerabilidade a essas complicações. Entre elas, a aspergilose invasiva (AI) destaca-se pela elevada mortalidade e pela dificuldade diagnóstica, uma vez que métodos tradicionais, como culturas microbiológicas, apresentam baixa sensibilidade, resultados tardios e dificuldade de execução em pacientes críticos. Nesse contexto, o ensaio de galactomanana (GM) surge como uma ferramenta de triagem promissora, por ser não invasivo e permitir a detecção precoce de componentes da parede celular do Aspergillus spp. Entretanto, a interpretação isolada do teste pode induzir a erros diagnósticos relevantes, uma vez que diversos fatores podem interferir em sua especificidade, resultando em casos de falso-positivo. Este trabalho investigou pacientes críticos com GM positiva internados na UTI do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília – DF, a fim de compreender a relação entre colonização fúngica e resultados laboratoriais. A amostra foi composta por 148 pacientes que realizaram o exame para GM sendo que apenas 13 pacientes preenchiam os critérios da pesquisa, dos quais apenas 7,7% apresentaram cultura positiva para Aspergillus spp., contrastando com 46,15% de culturas positivas para Candida spp. Esse achado sugere que a colonização por Candida pode estar associada à reatividade cruzada no ensaio de GM, reforçando a hipótese de falsos-positivos. Todos os pacientes avaliados apresentaram manifestações clínicas e radiológicas, como dispneia, febre, tosse e alterações pulmonares, porém esses sinais são inespecíficos e comuns a outras doenças infecciosas em ambiente de UTI, o que dificulta o diagnóstico diferencial. Além disso, uma parcela considerável recebeu antifúngicos azólicos, como voriconazol, evidenciando a repercussão clínica dos resultados de GM na decisão terapêutica, com possíveis implicações de toxicidade, aumento de custos e risco de resistência fúngica. Apesar das limitações relacionadas ao número reduzido de pacientes, os resultados indicam que a positividade isolada da GM não deve ser interpretada como diagnóstico definitivo de aspergilose invasiva, sendo imprescindível correlacionar achados laboratoriais, clínicos, radiológicos e microbiológicos para maior precisão. Em síntese, o estudo reforça a necessidade de cautela na interpretação do teste de GM em pacientes críticos colonizados por Candida e Aspergillus, sob risco de condutas terapêuticas desnecessárias, e destaca a importância de novas investigações multicêntricas que ampliem a amostra e validem a relevância clínica dos falsos-positivos no diagnóstico da aspergilose invasiva.
Palavras-chave
infecções fúngicas; galactomanana; aspergilose invasiva; falso-positivo; terapia antifúngica.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10905
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