O vírus da Febre do Nilo circula no DF?
Resumo
A Febre do Nilo Ocidental (FNO), causada pelo West Nile virus (WNV), e a encefalite de Saint Louis (SLEV) configuram-se como arboviroses de importância crescente para a saúde pública e animal, capazes de desencadear quadros neurológicos graves em humanos e equídeos. No Brasil, os equídeos são considerados sentinelas epidemiológicos relevantes, pois apresentam alta suscetibilidade à doença e permitem a detecção precoce da circulação viral em áreas de risco. Diante desse cenário, este estudo teve como objetivo avaliar a circulação de WNV e SLEV no Distrito Federal por meio da detecção de anticorpos neutralizantes em equídeos, utilizando o teste de neutralização por redução de placas (PRNT), técnica reconhecida como padrão-ouro para a sorologia de flavivírus. Para a realização do estudo, foram analisadas 96 amostras de soro de equídeos. Inicialmente, as amostras foram submetidas ao PRNT₈₀, que identificou reatividade em 18 (18,7%) animais para SLEV e em 3 (3,1%) para WNV. Posteriormente, as amostras positivas foram avaliadas no PRNT₉₀, que confirmou a presença de anticorpos neutralizantes em diferentes níveis de resposta imune. Para SLEV, quatro amostras inicialmente positivas tornaram-se negativas, enquanto as demais apresentaram títulos variando entre 1:20 e 1:80. Para o WNV, apenas uma das três amostras manteve soropositividade, apresentando título elevado de 1:320. Não foram observadas amostras com reatividade simultânea para os dois vírus. Esses resultados confirmam a exposição prévia dos equídeos avaliados a ambos os arbovírus e corroboram a circulação de SLEV e WNV no Distrito Federal, evidenciando a importância da vigilância epidemiológica baseada em equídeos como ferramenta de detecção precoce. O estudo alcançou seus objetivos, fornecendo dados relevantes para a compreensão da epidemiologia regional de flavivírus e reforçando a necessidade de estratégias contínuas de monitoramento. Além disso, destaca-se a relevância da abordagem Saúde Única, que integra saúde animal, humana e ambiental, como eixo essencial para o enfrentamento das arboviroses emergentes. Dessa forma, a pesquisa contribui tanto para o avanço do conhecimento científico quanto para a formulação de medidas preventivas que visam minimizar riscos à saúde coletiva e fortalecer as ações de vigilância no Brasil.
Palavras-chave
vírus do Nilo Ocidental; encefalite de Saint Louis; equídeos; vigilância epidemiológica; saúde única.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10895
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