Meditação e saúde: estudo sobre a configuração de processos subjetivos através de práticas meditativas de estudantes de graduação

Bruna Tavares da Silveira, Ana Vitória Cruz Lemes, Valéria Deusdará Mori

Resumo


A presente pesquisa propôs um estudo dos processos subjetivos envolvidos nas práticas meditativas e na vivência universitária, com base na Teoria da Subjetividade proposta e desenvolvida por González Rey. Esta pesquisa teve como objetivo principal compreender a relação entre a prática da meditação e as vivências universitárias, na perspectiva da Teoria da Subjetividade. Os objetivos específicos foram: explorar as diferentes produções subjetivas advindas da prática da meditação e conhecer as maneiras nas quais a prática da meditação mobilizou sentidos subjetivos dentro do contexto social da vida universitária. Propõe-se discutir saúde enquanto um processo subjetivo, portanto, complexo que entrelaça aspectos sociais e individuais. A meditação, no presente estudo, é considerada como uma prática com potencial mobilizador frente aos desafios da vida universitária, por favorecer a produção de processos subjetivos e a abertura de novos espaços de subjetivação. Como metodologia foi utilizado o método construtivo-interpretativo, que tem como base a Epistemologia Qualitativa, que defende a produção do conhecimento como um processo construtivo-interpretativo, singular e dialógico. Para realizar esta pesquisa, participaram dois estudantes universitários, Francisco, de 28 anos, e Daniela, de 20 anos. Foram realizados encontros presenciais, um em grupo e outro individual com cada participante. A partir da construção das informações, observou-se que a transição para a vida adulta é permeada por contradições, inseguranças e expectativas que são atravessadas pelo individual e social, e as dinâmicas familiares muitas vezes ocupam uma posição orientadora frente às decisões dos indivíduos. Além disso, foi possível observar que a meditação por si só não é capaz de abrir novos caminhos de subjetivação que permitam a elaboração de mal-estar, sendo necessário implicação nesse processo, ao invés de utilizar da meditação de forma instrumental e prescritiva. Tal implicação com a prática meditativa abre uma via possível para tornar-se sujeito e trilhar caminhos próprios. Por fim, a pesquisa contribui para ampliar a compreensão sobre a vivência universitária, desde as escolhas do curso até a transição para o mundo do trabalho, e propõe uma abordagem crítica acerca da meditação e a sua concepção hegemônica.

Palavras-chave


meditação; graduação; vivência universitária; teoria da subjetividade.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10812

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