Análise das reivindicações territoriais e de soberania no espaço sideral e corpos celestes
Resumo
A pesquisa investiga os desafios e lacunas do regime jurídico internacional que regula o espaço sideral, com foco nas reivindicações territoriais e na soberania sobre corpos celestes. Diante de um cenário de intensificação das atividades espaciais, tanto por Estados quanto por atores privados, o trabalho analisa a insuficiência dos tratados espaciais vigentes, em especial o Tratado do Espaço Exterior de 1967, frente às atuais intenções de mineração e colonização lunar e marciana. A investigação parte de uma abordagem qualitativa e teórica, amparada em pesquisa bibliográfica e documental, com o objetivo de compreender como o Direito Internacional e o Direito Espacial interagem diante de uma nova era de exploração cósmica, marcada por avanços tecnológicos e interesses econômicos. O estudo aborda desde a evolução histórica do Direito Espacial, desde a corrida espacial da Guerra Fria até o cenário multipolar e comercializado atual, até as questões de jurisdição internacional e os princípios aplicáveis ao uso do espaço, como o da não apropriação, da responsabilidade estatal e da partilha equitativa dos benefícios. Ao tratar da emergência de disputas por recursos em corpos celestes, como o hélio-3 na Lua e minerais em Marte, a pesquisa examina também os conflitos éticos, políticos e jurídicos envolvidos, sobretudo no que diz respeito à desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. A pesquisa propõe ainda uma reflexão crítica sobre a aplicabilidade dos tratados atuais às novas realidades, avaliando alternativas como a adoção de modelos jurídicos semelhantes ao Tratado da Antártica ou até mesmo a criação de um novo marco normativo adaptado à era espacial contemporânea. Os resultados apontam para uma governança espacial fragmentada e defasada, incapaz de assegurar justiça, sustentabilidade e inclusão na exploração extraterrestre. Por fim, a conclusão destaca a necessidade de um Direito Espacial moderno, funcional e justo, que garanta que o espaço permaneça como patrimônio comum da humanidade e não se torne uma extensão das disputas territoriais e desigualdades já presentes na Terra.
Palavras-chave
direito internacional; direito espacial; soberania; espaço sideral; patrimônio comum da humanidade.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10780
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